A Europa está absorvendo dois choques simultâneos; e isso tem um preço
- Robert Awerianow

- 2 de abr.
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Atualizado: há 1 dia
O comércio global cresceu em 2025, mas a Europa saiu como perdedora estrutural do reordenamento. McKinsey Global Institute documenta o “double squeeze”: exportações europeias de automóveis para os EUA caíram 17%; para a China, mais de 30%. Veículos elétricos chineses avançaram 50% no mercado europeu, superando 800 mil unidades, e a Alemanha importou mais carros da China do que exportou para lá pela primeira vez em sua história industrial. O superávit da UE encolheu cerca de €34,5 bi.
O Estreito de Ormuz agravou a situação.
As projeções do BCE de março/26 revisaram o PIB da zona do euro para 0,9% em 2026, com inflação em 2,6% e pico de 3,1% no 2º trimestre. No cenário adverso, crescimentos negativos nos 2º e 3º trimestres são projetados. Embora 52% das importações europeias sejam faturadas em euros, matérias-primas continuam cotadas em dólares; o choque energético se transmite diretamente para os custos industriais, especialmente em economias como Alemanha e Itália.

O estímulo fiscal alemão (defesa e infraestrutura) oferece algum colchão, mas o BCE estima que o impulso acumulado até 2027 adicionará apenas 0,6 ponto percentual ao PIB; insuficiente para compensar a erosão estrutural de competitividade e de participação nas exportações globais.
Para carteiras de renda fixa com exposição europeia, esse ambiente reforça a preferência por duration curta e seletividade de crédito elevada. Emissores com baixa exposição energética e receita em moeda forte tendem a preservar melhor a qualidade de crédito. Soberanos de curto prazo da zona do euro oferecem carrego razoável sem absorver o risco de reprecificação que uma possível reversão da política do BCE traria aos vencimentos mais longos.
*Essa publicação não é uma recomendação de investimento.



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