A Guerra no Irã Não Interromperá o Ciclo Econômico Americano
- Vinicius Flores

- 14 de abr.
- 2 min de leitura
Desde o início do conflito entre os Estados Unidos (EUA) e Irã já se passaram 45 dias, praticamente um mês e meio, e ainda não há uma definição efetiva para o conflito. Nesta semana, foi celebrado um acordo de cessar fogo de 15 dias que, na prática, constitui um "tigre de papel" e já está sendo descumprido. Nesse contexto, o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz continua irrisório e o Irã mantém o controle da zona de tráfego dos navios, cobrando um pedágio para cada petroleiro que passa pelo estreito. Diante deste cenário, mantemos a visão de que o impacto do conflito para os Estados Unidos é mais político do que econômico e que o conflito não interromperá o ciclo econômico americano.

Primeiramente, entendemos que o impacto econômico é de fato negativo para o crescimento e a inflação, mas não é suficiente para interromper o ciclo econômico positivo dos EUA. Mesmo com o preço do petróleo em $100 por barril até 2027, o impacto no PIB americano seria de apenas 0,1% negativo e no núcleo da inflação (Core CPI) de 0,1% positivo, conforme estimativas da Apollo. Os dados econômicos das últimas duas semanas, que já compreendem o conflito, demonstram que a atividade econômica segue forte nos EUA. O PMI de manufatura e o de serviços mantiveram-se acima de 50 em março (expansão), com a diferença entre novas ordens e inventários (proxy para produção futura) permanecendo elevada. O núcleo da inflação (Core CPI) de março subiu de 2,5% para 2,6% no acumulado do ano, enquanto a inflação de alimentos permaneceu estável no mês. Considerando que os dados de PMI foram divulgados antes do cessar fogo de duas semanas, caso o acordo se mantenha e o fluxo no Estreito de Hormuz comece a ser normalizado, teremos PMIs ainda mais fortes nos próximos meses e o sentimento do consumidor voltará a crescer. Portanto, mantemos uma perspectiva positiva em relação à economia americana.
Para nós, o verdadeiro risco do conflito está no seu impacto sobre a aprovação de Trump e nas consequências para os midterms de novembro. Os mercados de previsão já refletem essa deterioração: conforme dados do Polymarket, a probabilidade de uma varredura democrata (controle simultâneo da Câmara e do Senado) está em 54%, com um cenário de divisão precificado em 35%. Uma derrota nos midterms representa o fim da agenda legislativa de Trump, cortes de impostos, benefícios fiscais e os principais itens do One Big Beautiful Bill bloqueados, além de abrir caminho para uma ofensiva parlamentar com impacto direto em setores como financeiro, farmacêutico e crédito ao consumidor.



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