As Primeiras Consequências do Conflito entre Irã e Estados Unidos para a Economia Mundial
- Vinicius Flores

- 2 de abr.
- 2 min de leitura
Atualizado: há 1 dia
Os primeiros dados econômicos que compreendem o período após o início do conflito entre Irã e Estados Unidos, que começou no dia 28 de fevereiro, já demonstram os primeiros impactos dessa guerra. Em meio à semana da Páscoa, os dados de PMI da manufatura divulgados nos Estados Unidos, Europa e China confirmam o primeiro efeito do conflito: aumento de preços por conta da disrupção de oferta no petróleo, gás natural e outras commodities. Por enquanto, esses efeitos estão limitados as pesquisas de PMI e no decorrer dos próximos meses devem afetar a inflação ao consumidor final nessas regiões. Em nossa visão, a segunda derivada do conflito será o impacto no consumo global, principalmente nos países mais dependentes da importação de energia.
Na China, o PMI de manufatura voltou a registrar expansão em março, com o headline em 50.4 e produção em 51.4 (49.6 em fevereiro). Já os preços de insumos saltaram 16%, de 54.8 para 63.9. No geral, a China se beneficiou das companhias que anteciparam suas importações para garantir um preço mais atrativo antes de os aumentos de preço chegarem na cadeia final. Com a continuidade do conflito, esperamos uma piora na atividade econômica chinesa decorrente de um nível reduzido de exportações e consumo.
Na Europa, o PMI de manufatura se manteve em expansão, mas praticamente no mesmo nível de fevereiro (51,6 x 51,4 em fevereiro). Já o preço dos insumos registrou a maior elevação desde outubro de 2022. Nessa semana também tivemos a divulgação da inflação na Europa, onde o headline saltou de 1,9% para 2,5%, com os preços de energia saltando 4,9% no mês, enquanto o core se manteve estável e baixou 0,1% para 2,3%. A passagem do aumento de preços deve se expandir para a cesta de bens e serviços nos próximos meses.

Por fim, nos Estados Unidos, o PMI de manufatura alcançou 52,7, registrando três meses consecutivos em expansão. A diferença entre as novas ordens e estoques continua acima de 5, indicando que a produção futura deve se manter forte nos próximos meses. Assim como nas outras regiões, o preço de insumos saltou 11%, alcançando 78,3. Ou seja, continuamos com um ambiente de crescimento da produção e preços altos. Entretanto, após três anos com PMIs abaixo de 50, manter a atividade se expandindo por três meses consecutivos reforça a força do novo ciclo industrial americano.
Em resumo, o conflito já traz consequências que serão sentidas de forma heterogênea entre os países desenvolvidos e emergentes, das quais as implicações não serão apenas econômicas, mas também afetarão a política e alinhamento estratégico das regiões.
*Essa publicação não é uma recomendação de investimento.
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