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Brasil pode virar peça-chave na disputa entre EUA e China por terras raras

21 de jul.
3 min de leitura
Nos últimos anos, um grupo de minerais estratégicos passou a ocupar posição central na rivalidade entre as duas maiores economias do mundo: as chamadas terras raras

Fonte: Reprodução
Fonte: Reprodução

A disputa entre Estados Unidos e China deixou de se limitar às tarifas comerciais e à tecnologia. Nos últimos anos, um grupo de minerais estratégicos passou a ocupar posição central na rivalidade entre as duas maiores economias do mundo: as chamadas terras raras.


Esses elementos são fundamentais para a fabricação de equipamentos eletrônicos, sistemas militares, veículos elétricos, satélites, turbinas eólicas e tecnologias ligadas à inteligência artificial.


Em um cenário de crescente competição geopolítica, garantir o acesso a esses recursos tornou-se uma questão de segurança nacional para diversos países.


Nesse contexto, o Brasil aparece como uma das nações com maior potencial para ganhar relevância global.


O país possui uma das maiores reservas conhecidas de terras raras do mundo e começa a chamar atenção de investidores e governos interessados em reduzir a dependência da China.


Atualmente, a China domina esse mercado. O país responde por cerca de 70% da produção global e concentra boa parte da capacidade de processamento necessária para transformar os minerais em insumos industriais.


Para Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, essa concentração criou uma vulnerabilidade estratégica para os Estados Unidos.


“A China frequentemente usa sua posição privilegiada de maior produtor mundial de terras raras como instrumento de pressão em disputas comerciais e tecnológicas com diversos países do mundo, especialmente contra os Estados Unidos”, afirma.


Segundo o especialista, a dependência americana desses minerais passou a ser vista como um risco crescente em meio à guerra comercial e à rivalidade geopolítica entre Washington e Pequim.


“Para a administração Trump, reduzir a dependência da China e alcançar autossuficiência em terras raras tornou-se uma prioridade nacional e um imperativo de soberania tecnológica”, diz.


Tecnologia, defesa e inteligência artificial dependem desses minerais


A importância das terras raras vai muito além da mineração. Esses elementos estão presentes em praticamente todas as tecnologias consideradas estratégicas para o futuro.


Computadores, smartphones, radares, motores elétricos, satélites e equipamentos militares utilizam minerais com propriedades magnéticas, ópticas e eletrônicas difíceis de substituir.


Segundo Cabral, uma eventual interrupção no fornecimento global teria impactos significativos para diversos setores.


“No ambiente de Guerra Fria entre Estados Unidos e China, os países com reservas de terras raras passaram a ser estratégicos e o Brasil está emergindo como uma das peças mais valiosas no quadro geopolítico global”, afirma Cabral.


Na avaliação do especialista, o país tem condições de atrair investimentos, ampliar exportações e conquistar espaço como fornecedor relevante para as cadeias globais de suprimento.


O desafio vai além da mineração


Apesar do potencial geológico, transformar reservas em influência econômica não depende apenas de mineração ou investimentos.


Segundo Cabral, existe uma barreira diplomática importante no caminho.


“O Brasil precisa se posicionar como um aliado estratégico de Washington, não de Pequim. Atualmente, a opção preferencial do Brasil pela China desqualifica o país, na ótica americana, como uma opção para o abastecimento estratégico de terras raras”, afirma.


Na prática, isso significa que a disputa por minerais críticos envolve não apenas recursos naturais, mas também alinhamentos políticos e relações internacionais.


Enquanto Estados Unidos e China ampliam sua corrida por recursos estratégicos, o Brasil passa a ocupar uma posição cada vez mais relevante nesse tabuleiro global.


Por fim, a capacidade de transformar esse potencial em investimentos, indústria e geração de valor poderá definir o papel do país em uma das disputas econômicas mais importantes das próximas décadas.


LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO LINK (Por Marina Finelli)

 
 
 

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