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COMO É INVESTIR EM RENDA FIXA NO EXTERIOR?

Renda fixa já é um velho conhecido dos investidores brasileiros. Com a perspectiva de alta de taxa de juros americanas e riscos internos brasileiros, a classe de ativos de renda fixa no exterior vem se tornando cada vez mais popular entre os brasileiros.



Vamos apresentar aqui as principais características de renda fixa no exterior:


1 – O valor de face e o cupom

Aqui está uma grande diferença em relação aos ativos brasileiros.


No Brasil, as debentures com juros periódicos tem os seus juros incorporados no preço. Em outras palavras, o preço contém informação de principal e juros.


No exterior, o instrumento é o bond. O principal e os juros são contabilizados em lançamentos separados! Esta é uma característica que tem confundido muitos investidores e profissionais.

Um ativo pode estar negociado:


  • a par (igual ao preço de face),

  • descontado (abaixo do valor de face)

  • ou com prêmio (acima do valor de face).


Normalmente o bond tem valor de face igual a US$ 1.000,00. Se estiver sendo negociado a 98% do valor de face, ele está sendo negociado a US$ 980.00 (descontado).


E se este mesmo bond tiver juros semestrais? Estes juros são contabilizados num lançamento à parte. Vamos supor que os juros são 6% ao ano. O usual no exterior são juros simples (outra diferença em relação aos juros compostos do Brasil), fica então dividido: 3% por semestre.


Então, se um investidor comprar este papel a 97% do preço de face, ele pagará US$ 970.00 mais os juros acruados até a data da compra.

E como calcular juros acruados?


2 – Juros acruados

Bom, esse é bem fácil. Taxa de juros anual dividido por 365 dias. Juros simples.

Então, vamos supor que os últimos juros foram pagos em 31/dez/2022 (para facilitar). Se o investidor comprar este bond em 01/jun/2023 (150 dias), os juros acruados são simplesmente:


Aplicando num papel de US$ 1,000.00, os juros acruados ficam em US$ 24.7

Então, para este investidor comprar o ativo ele negociado a 98% do valor de face, ele paga:



O investidor pagou 98% do valor de face, mas desembolsou mais de US$ 1.000 pelo bond. Está aí a explicação!

Atenção: as datas no exterior são mostradas como “mês/dia/ano”. Parece bobagem, mas às vezes dá confusão.


3 – Nos extratos

As corretoras também mostram o principal e os juros acruados separadamente!


Normalmente na posição de investimentos, os valores apresentados são apenas o principal marcado a mercado. Muitas vezes o investidor acha que não está rendendo nada, isso porque a forma de contabilização não incorpora os juros na posição!


Eles são apresentados à parte, como fluxo de pagamento projetado. Então, este investidor acima vai ver:


Positions:

Bond “Company XYZ” US$ 980.00


Projected Income:

2023: US$ 600.00


Quando olham somente “Positions”, os desavisados acham que já teve prejuízo, porque  foi pago US$ 1,004.70 e o bond só vale agora US$ 980. Mas muita calma nessa hora: tem um fluxo de pagamento de juros no “Projected Income”.


Contando um pouquinho de história:

Antes dos computadores, os bonds eram papéis físicos assim:



O investidor recorta o cupom na data certa e apresenta ao banco para receber. Quando negocia um bond, os cupons a vencer sempre vão junto para o comprador, por isso o comprador paga o “accrued interest” que é o quanto já apropriou de juros desde a última data de cupom.


Quando vieram os computadores, apenas foi digitalizado isso tudo. Por isso essa forma tão diferente de contabilização das debentures brasileiras.


4 – Vencimento, call e reset

Vencimento é igual às debentures brasileiras. Uma diferença relevante é que existem bonds perpétuos no exterior! Eles são mostrados com vencimento 01/01/9999. E o investidor pode ficar recebendo juros na perpetuidade também.


Mas e se o emissor não tiver mais interesse ter este bond? Por isso tem call e reset.


  • Call é o direito que o emissor tem de recomprar o bond em datas e condições específicas.

  • Reset é o direito que o emissor tem de definir uma nova taxa de remuneração sob determinadas condições.


Normalmente, na emissão, as regras de call e reset são estabelecidas. Quando se olha a característica do bond geralmente tem um campo “callable”, que não é usual aqui no Brasil.


Call e reset podem ser encontrados tanto em bonds perpétuos como bonds com prazos definidos.


Por isso, nas ofertas de bonds são apresentados com “Yield to Maturity (YTM)”, “Yield to Call (YTC)” e “Yield to Worst (YTW)”.


5 – Liquidez

Essa é boa: a liquidez é muito mais abundante no exterior, o que implica um menor spread no mercado secundário. Excelente para o investidor.


E a liquidação financeira geralmente se dá em D+2.


6 – Demais características

Ainda bem. Outras características são muito similares aos brasileiros. Rating, cálculo de rentabilidade, negociação via corretora, etc.


As ofertas no exterior são extremamente abundantes e líquidas. Desde o mais conservador como US Treasury até os High Yields. As possibilidades de diversificação entre setor, prazo e risco são amplas.


Para finalizar, reforçamos a importância da assessoria para construir uma carteira de renda fixa alinhada ao interesse e tolerância ao risco do investidor. O valor agregado pela assessoria profissional inclui a seleção, o acompanhamento e a análise dos ativos, permitindo a melhor combinação de risco X retorno para o investidor.




Por Lin Jwo Shiow     

Stratton Capital Investment Advisory

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