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DÓLAR, MOEDA FORTE?

No mundo atual, a moeda de reserva e de transação internacional é o Dólar

Americano. Isto é fruto da dianteira dos EUA principalmente em 3 frentes: economia

robusta, avanço tecnológico e superioridade militar. Com isso, os países e os

indivíduos substituíram lastro ouro pelo lastro em dólar, suportado pela solidez da

economia americana construída ao longo de anos, desde o acordo de Bretton

Woods.


E, como toda economia, os EUA também passam por períodos de bonança e de

solavanco. Atualmente, inflação, recessão e tensões geopolíticas levantam questionamento sobre a solidez de dólar americano, muito mais por motivações emocionais do que racionais. São questionamentos como “Por que estão falando em desdolarização?”, “A moeda Chinesa vai dominar o mundo?”, “o USD vai desaparecer?”, etc. Vamos analisar a confiabilidade de Dólar Americano sob diversos aspectos:


1 – Principal moeda de reserva

A função primordial de uma moeda é a reserva de valor – uma combinação de capacidade de preservação e disponibilidade no momento de necessidade sem perda significativa de poder de compra. A confiança na moeda pode ser medida pelo seu uso como reserva estrangeira:


fonte: IMF COFER


O Dólar Americano representa 59% das reservas mundiais. O segundo colocado é o Euro, com 21%. O tão falado Renminbi está em 5º lugar, representando apenas 2%.


Vamos ver agora a evolução ao longo do tempo. A participação do Dólar Americano nas reservas internacionais dos governos saiu de 71% para 55% – o espaço foi ocupado por uma cesta de moedas, e não concentrado apenas em uma única moeda. Os países optaram por diversificar a reserva, e ainda assim, o dólar americano é dominante.


fonte: IMF COFER


2 – Quem detém a dívida americana?

Muito tem se falado também do endividamento americano e seus credores. Vamos dar uma olhada nestes dados:


fonte: Financial Accounts of the United States, Table L.210. BIS debt securitiesstatistics; World Bank/IMF Quarterly External Debt Statistics (QEDS), accessedthrough Haver Analytics; Bank of England; Bank of Japan; European Central Bank;Federal Reserve Board


67% da dívida soberana americana é detida pelos americanos, sendo 42% por investidores privados e 25% pelo Federal Reserve. A preocupação de que os estrangeiros se tornaram o principal credor dos EUA não se sustenta.


Além disso, o Dólar Americano tem sido usado como âncora nas últimas duas décadas. É estimado que 50% do PIB mundial tenha sido produzido por países ancorados em Dólar, excluindo o próprio EUA (Ilzetzki, Reinhart, and Rogoff (2020)).Como comparação, apenas 5% do PIB mundial foi gerado por países ancorados em Euro (excluindo a própria Europa).


Aqui, vale ressaltar que Renminbi permaneceu ancorado em Dólar, pois 90% dos meses entre jan/16 e Abr/21 Renminbi variou menos do que 2% contra Dólar.


3 – Dólar no sistema financeiro mundial

A força do Dólar é percebida no sistema financeiro mundial pela sua representatividade no comércio internacional e no banking. Veja a participação do Dólar em transações comerciais mundo afora:


fonte: IMF Direction of Trade


Os bancos também usam o Dólar como principal moeda de referência para suas transações em moeda estrangeira:



Aproximadamente 60% de ativos e passivos bancários em moeda estrangeira do mundo são denominados em Dólar, com pequenas flutuações ao longo dos anos. Yen é a moeda que perdeu em representatividade, enquanto outras moedas não tiveram variação relevante.


4 – Há algo que possa mudar a dominância do Dólar Americano?

Considerando um índice composto por (i) reservas internacionais, (ii) volume de transações de câmbio, (iii) crédito, (iv) depósito e (v) empréstimo inter-países, observamos que o Dólar tem tido uma participação estável, a despeito de todos os ciclos econômicos neste período: bolha de internet (2000), crise de subprime (2008)e Covid (2020). Nos choques globais como Covid, Dólar Americano ainda valorizou mais devido ao seu status de “porto seguro”.


fonte: IMF COFER; BIS Triennial Central Bank Survey of FX and OTC DerivativesMarket; Dealogic; Refi nitiv; BIS locational banking statistics


Os ciclos estão todos os países, e os EUA têm mostrado resiliência em administrar e superar os choques.


Sob a ótica do investidor, o Dólar Americano tem oferecido possibilidade de diversificação no mundo. Pelo lado de renda fixa, os emissores de todo o mundo têm como Dólar a principal moeda. Pelo lado de renda variável, em torno de 30% de receita das empresas que compõem S&P é gerada fora dos EUA, e 50% do peso de Nasdaq é composto por empresas com atuação global (Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon, Nvidia e Meta). Além disso, a NYSE tem à disposição ADR das maiores empresas e ETF de principais índices mundiais.


A dominância do Dólar Americano é ainda complementada pelo Estado de Direito da jurisdição americana, onde há um longo histórico de segurança jurídica e proteção de investimentos.


5 – E daqui para frente?

É lógico que muitos países procuram emplacar a sua moeda em posição de dominância na briga pela hegemonia geopolítica. É importante avaliar se estes países têm uma economia robusta, um crescimento sustentado (não artificialmente) e um Estado de Direto que respeite os investidores, empreendedores e a democracia.


Muito tem se falado sobre a China, e podemos verificar que de fato houve um crescimento nos últimos anos de renminbi; no entanto, a sua participação ainda é marginal. Vale também ressaltar que China ainda tem um longo caminho a percorrer para atingir um status de Estado de Direito, com proteção a propriedade e direitos individuais.


Warren Buffett costuma dizer: “Nunca aposte contra os EUA”. Talvez “nunca” seja muito forte (é bom dizer que “nunca diga nunca”). Mas, no horizonte curto, é muito improvável que demais países consigam alcançar e consolidar a posição de Dólar Americano.


A manutenção de investimentos em Reais faz sentido, pois é moeda do país onde vivemos. E para diversificação, Dólar Americano é a moeda que oferece a combinação de reserva de valor, liquidez e proteção jurisdicional.


E os discursos alarmistas sobre Dólar? Faz parte do ruído da comunicação atual.








Por Lin Jwo Shiow

Stratton Capital Investment Advisory

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