Ibovespa cai mais de 1%, na esteira de NY, em dia de Fed; Dólar recua a R$ 5,10
Índices nos EUA recuam após Fed manter taxas inalteradas, em votação que foi 9 a 3

O Ibovespa caiu 1,52%, na mínima do dia, aos 173.885,34 pontos, uma perda de 2.679,41 pontos, na primeira baixa da semana.
O dia foi marcado pela expectativa da decisão sobre taxa de juros pelo Federal Reserve. Mas foi como se não tivesse acontecido nada: nada mudou e provavelmente deu para ouvir o som dos bocejos por aí, após a entrevista coletiva de Kevin Warsh, presidente do Fed.
Para não dizer que nada se mexeu, vale falar sobre o real: a moeda nacional virou imediatamente para queda, após a decisão ser divulgada de manter as taxas de juros inalteradas e três dissidências pedirem alta de 0,25 ponto percentual. O dólar comercial fechou com baixa de 0,27%, a R$ 5,108. Os DIs (juros futuros) terminaram o dia em baixa por toda a curva, após passarem o dia em alta.
Decisão do Fed
Mas os mercados de ações mesmo… Esses responderam com pouca animação. Em Wall Street, os principais índices terminaram amplamente negativos. O Nasdaq ainda tentou um respiro, chegou a virar para positivo, mas terminou em queda, da mesma forma.
“O comunicado foi praticamente idêntico ao da reunião anterior”, salientou Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil. “Tanto o comunicado quanto a coletiva de Kevin Warsh não trouxeram qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária, mesmo com o mercado atribuindo elevada probabilidade a uma alta de juros na reunião de setembro. Warsh voltou a afirmar que a inflação é ‘uma escolha’ e reiterou que a prioridade da autoridade monetária é restabelecer a estabilidade de preços. Apesar da ausência de sinalização prospectiva, a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário. A curva de juros continua precificando aproximadamente duas elevações de 25bps até o final do primeiro trimestre de 2027″.
Sem ter muito com o que trabalhar, os investidores deram de ombros e bola para frente. É o famoso “é o que temos para hoje”.
O estilo de Warsh tem sido de passividade diante dos movimentos de mercado, um observador e não alguém que interfere, como fez questão de salientar algumas vezes durante a coletiva.
Com o foco no Fed, a alta forte do petróleo acabou ajudando a deixar o humor mais azedo. O presidente dos EUA, Donald Trump, ao contrário de Warsh, não se aguenta e desenrola a língua sempre que pode. Hoje, foi a vez de prometer uma resposta a um ataque do Irã a bases norte-americanas. A Arábia Saudita se juntou as EUA em ataques no Iraque. A guerra parece piorar e não melhorar.
Petrobras é exceção
No Brasil, os dados do Caged mostraram criação de empregos mais forte do que o esperado. E o Tesouro, uma dívida pública igualmente mais alta. Semana que vem tem Copom. Ninguém parece ter motivos para sorrir: nem no Oriente Médio, nem acima ou abaixo do Equador.
Por aqui, Petrobras (PETR4) foi uma das poucas vitórias do dia, com alta de 1,92%, mas não só por conta da alta da commodity. É que os dados de produção divulgados ontem, após o fechamento do mercado, projetaram um forte 2T26 e novo dividendo bilionário. PRIO (PRIO3), que pegou carona no petróleo, ficou com mais 2,89%.
De resto, quase ninguém se salvou. Santander (SANB11), o primeiro dos bancões a divulgar balanço, viu uma queda de 7,37%, com números decepcionantes. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 2,43% e Bradesco (BBDC4) perdeu 2,24%. O Banco do Brasil (BBAS3) ainda tentou sustentar uma alta, mas acabou com menos 0,24%.
Vale (VALE3) perdeu 0,85%, mesmo começando o dia com um pouco de fôlego. A mineradora solta seu balanço do 2T26 nesta quinta-feira, após fechamento do mercado.
Ambev (ABEV3), que igualmente divulga o balanço amanhã, depois do “sucesso” do 1T26, perdeu 1,24%.
Foi um dia mais frustrante do que emocionante. Esta quinta-feira tem nova promessa de mais emoções: os EUA divulgam a inflação de consumo pessoal (PCE), além da primeira preliminar do PIB do 3T26. Zona do Euro, França e Alemanha apresentam muitos dados diversos. Terminará com bocejos, como hoje? (Fernando Augusto Lopes).
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