Kevin Warsh é o maior risco do 2º semestre, não Trump, afirma Marcelo Cabral
Estrategista da Stratton Capital aponta Kevin Warsh como maior risco para investidores no 2º semestre, superando Trump

As atenções do mercado continuam voltadas para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os próximos passos da economia americana – que pode estar relacionado com mais tarifas no horizonte.
No entanto, para Marcelo Cabral, estrategista-chefe e CEO da Stratton Capital, a principal fonte de incerteza para os investidores no segundo semestre pode estar dentro do próprio Federal Reserve (Fed).
O maior fator de incerteza para os investidores no segundo semestre de 2026 não está associado ao ex-presidente Donald Trump, mas sim à figura de Kevin Warsh, principal elemento de risco para os mercados globais. Em entrevista ao MoneyTimes, Cabral destacou que o que está em jogo vai muito além de uma simples decisão sobre a direção das taxas de juros; trata-se de uma mudança profunda na filosofia de atuação da autoridade monetária dos Estados Unidos.
“É uma mudança muito maior do que simplesmente decidir se sobe ou não os juros. É uma mudança de como o Fed pretende conduzir a política monetária”, afirmou o estrategista. Essa incerteza, na visão dele, é o que mantém o mercado em uma postura cautelosa, aguardando os primeiros movimentos concretos de Warsh à frente da instituição.
Essa cautela, segundo ele, deriva justamente da falta de clareza sobre os próximos passos da autoridade monetária. As referências tradicionais estariam perdendo peso.
‘Hoje, eu diria que a gente tem muito pouca visibilidade sobre o que o Fed vai fazer com os juros. Não é mais aquela coisa de sempre: qual é o dado econômico, qual é o dado de desemprego, qual é o dado de inflação. Tudo isso está sendo mudado’ afirmou.
Outra frente destacada pelo estrategista é a possível ruptura com a estratégia de forward guidance, prática pela qual o Fed sinaliza antecipadamente suas decisões.
‘O Fed tenta telegrafar as mudanças para não gerar volatilidade. O Kevin Warsh é totalmente contra isso. É uma revolução enorme.’ disse.
A consequência mais imediata seria um mercado com menos previsibilidade. ‘Como o mercado vai fazer sem o forward guidance? Vai ter mais volatilidade’, afirmou. (BPMoney)
Um dos pontos centrais levantados por Cabral é a criação de um grupo de trabalho para reavaliar a metodologia de cálculo dos índices de preços nos Estados Unidos. Para o estrategista, o método atual acumulou distorções significativas ao longo do tempo, o que pode levar a uma reinterpretação radical dos dados de inflação. “Esse cálculo é muito antigo. Existem várias distorções na composição da cesta e na forma de medir os preços. Isso vai mudar”, explicou.
“Eu sempre brinco que a eleição do Trump foi um pouco consequência da inabilidade do Jay Powell. Foi o que causou um desconforto muito grande na população. A inflação machucou muita gente, e o Trump entrou justamente no momento em que existia esse descontentamento popular.” Acrescenta em relação à gestão anterior do Fed.
Em contraste, Cabral elogiou a atuação do Banco Central do Brasil, que adotou uma política monetária mais rigorosa e tempestiva durante a saída da crise da Covid-19. “No Brasil, por exemplo, o Banco Central foi muito mais competente para lidar com a saída da Covid. A gente teve uma política monetária muito rigorosa, enquanto nos Estados Unidos o Fed ficou sem fazer nada e dizendo basicamente o seguinte: essa inflação é temporária, ela vai passar”, comparou. (SpaceMoney)

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