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NEM TUDO QUE RELUZ É OURO

No mundo de investimentos, um viés inconsciente muito comum entre as pessoas físicas é selecionar as ações que estão mais expostas na mídia.


Lembram da grande cobertura da mídia do IPO da Nubank? E a agitação em torno da Magazine Luiza? Foram fatos que dominaram a pauta de investimentos.


É praticamente inviável um investidor não profissional acompanhar todas as ações negociadas. Com isso, a saliência, ou seja, a atenção obtida, desempenha um papel subliminar na escolha das ações.


Vamos ver como este viés inconsciente afeta a rentabilidade do investimento.


Aumento de volume negociado

O aumento de volume negociado é relacionado a saliência, que retroalimenta o volume negociado. Um fato interessante é que o aumento de volume é praticamente devido às pessoas físicas. Barber e Odean (2008) propuseram uma métrica, o “BSI” – desequilíbrio entre compra e venda (buy-sell imbalance), e verificaram que, enquanto os gestores de fundos mantiveram estável o seu BSI, quanto maior o volume de negociação, mais as pessoas físicas apresentaram um aumento significativo de BSI, sendo responsável praticamente pelo todo volume anormal de compra.


Particionando em decis o volume de negociação, as pessoas físicas tiveram este comportamento:



Retorno passado

De novo, a saliência tem um papel relevante na escolha. As pessoas físicas tendem a comprar as ações que tiveram os maiores ganhos e as maiores perdas, sendo que “esquecem” das ações que performaram medianamente. Barber e Odean (2008) particionaram as ações em decis pelo retorno do dia anterior, e verificaram este comportamento:



Os extremos chamam atenção, ou seja, os grandes ganhadores e os grandes perdedores atraem os olhares e geram ordens de compra dos investidores não profissionais.


Ser responsável pelo volume de compra em si não quer dizer se foi bom ou ruim para a carteira de investimento, o que leva a próxima pergunta: a rentabilidade destas ações salientes justificou a compra?


Para a carteira do investidor

Vamos ver exemplo de saliência nos IPOs. Engleberg e Gao (2011) usaram o volume de busca no Google (Google Trends) como proxy para a saliência, buscando a relação entre o retorno de longo prazo com a saliência e o retorno no dia do IPO. O que foi verificado que, quando há uma alta saliência com um alto retorno no dia do IPO, há também um maior tombo nos meses subsequentes.



Como mitigar?

É interessante que também foi verificado que os gestores de fundo não apresentam este comportamento. Provavelmente por terem que seguir critérios objetivos de seleção, ou terem fontes de informação profissionais.


Para um investidor não profissional, se tratar do universo de investimento no Brasil, já é complicado acompanhar. Se dermos um passo para o exterior, fica praticamente inviável. Com isso, a exposição na mídia e o retorno passado acabam gerando saliência, que não é necessariamente um bom critério para a seleção do ativo.


Só que, como regra de ouro de diversificação de risco, a carteira internacional deve ser parte integrante da carteira de um investidor. Como fazer?


É neste ponto que a assessoria profissional agrega valor, tanto no mercado doméstico como internacional. Prevenir contra armadilhas de vieses comportamentais, orientar o investidor para atentar a critérios de seleção, são os pontos que uma boa assessoria trazem para o investidor.








Por Lin Jwo Shiow

Stratton Capital Investment Advisory


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