Fed mantém juros: analista vê comunicado mais brando, mas alerta para divisão no FOMC
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Para Vinicius Flores, da Stratton Capital, o Fed adotou um tom mais suave sobre a inflação, mas a votação dividida sinaliza maior disposição para elevar os juros.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, o Federal Reserve entregou uma decisão amplamente esperada ao manter os juros entre 3,50% e 3,75% pela quinta reunião consecutiva.
“O comunicado veio dentro do esperado. O comitê decidiu manter a taxa de juros inalterada no intervalo de 3,50% a 3,75%, pela quinta reunião consecutiva”, afirmou.
Segundo Flores, o texto teve um tom mais brando do que o esperado. Isso porque o Fed reconheceu que parte da inflação decorre de choques de oferta, principalmente no setor de energia.
“Essa é uma distinção importante, pois choques de oferta não se combatem com juros mais altos”, explicou.
Além disso, o gestor afirma que o banco central mostrou compreender a origem dessas pressões.
“Ao fazer essa separação, o Fed sinalizou que entende a natureza do problema. Assim, não pretende reagir de forma automática a uma inflação que está fora do seu controle”, acrescentou.
Por outro lado, Flores avalia que o resultado da votação trouxe um sinal mais duro ao mercado.
A decisão foi aprovada por 9 votos a 3. Enquanto isso, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
“Essa dissidência tripla mostra que o apetite por aperto monetário está crescendo dentro do comitê. O resultado é um comunicado equilibrado: dovish no diagnóstico e hawkish na composição do voto”, avaliou.
Segundo o gestor, o Fed continua diante de sinais mistos.
De um lado, a inflação segue acima de 3%. Por outro, as expectativas de inflação permanecem controladas.
“Os breakevens de inflação de cinco e dez anos continuam próximos de 2,3%. Portanto, o mercado não enxerga uma deterioração estrutural da inflação”, disse.
Além disso, Flores destaca que os indicadores regionais de julho apontam perda de força das pressões inflacionárias. Na avaliação dele, isso reforça a postura cautelosa do banco central.
Setembro deve ser a reunião mais importante
Para o gestor, a reunião de setembro deve concentrar a atenção dos investidores. Afinal, o Fed divulgará novas projeções econômicas e uma atualização do dot plot.
“Uma alta de juros não pode ser descartada. Isso pode acontecer caso o petróleo volte a subir por causa do conflito no Oriente Médio ou se os próximos dados de inflação surpreenderem negativamente”, afirmou.
Mesmo assim, Flores acredita que o cenário-base continua sendo de manutenção das taxas.
“Os breakevens seguem ancorados. Além disso, a desaceleração gradual da atividade econômica não justifica um novo aperto monetário, desde que não haja um choque relevante nos preços da energia”, concluiu.
Bolsas e dólar reagem
Na avaliação do gestor, a manutenção dos juros favoreceu os ativos de risco, já que a decisão veio em linha com as expectativas do mercado.
“As bolsas americanas reagiram positivamente. Ao mesmo tempo, o dólar perdeu força frente a uma cesta de moedas e também diante do real”, afirmou.
Segundo Flores, esse movimento reforça a percepção de que, enquanto o Fed mantiver uma postura cautelosa, os mercados emergentes tendem a ganhar espaço. Além disso, a moeda americana pode continuar perdendo força.
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