O que esperar do Fed? Analistas avaliam decisão de juros dos EUA
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- há 1 dia
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Especialistas avaliam os próximos passos do Federal Reserve em meio à pressão do petróleo, riscos inflacionários e mudança na comunicação do banco central americano.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), colegiado responsável pela definição da política monetária dos Estados Unidos, se reúne nesta terça-feira (28) e quarta-feira (29) para anunciar se mantém ou altera a taxa de juros do país.
A expectativa predominante do mercado é de manutenção dos juros, mas a decisão ocorre em um ambiente de maior incerteza, marcado pela pressão do petróleo, tensões geopolíticas e mudanças na comunicação do Federal Reserve (Fed) sob o comando do novo presidente da instituição, Kevin Warsh.
Para especialistas, embora a manutenção das taxas seja o cenário mais provável, os próximos passos da autoridade monetária americana dependerão da evolução da inflação e dos impactos dos conflitos internacionais sobre os preços.
Mercado vê uma das decisões mais incertas dos últimos anos
Segundo Caio Ignácio, especialista em investimentos e fundador da Boa Brasil Capital, esta é uma das reuniões mais difíceis de prever dos últimos anos.
“Essa é uma das decisões mais incertas dos últimos anos. Historicamente, dias antes de uma reunião do Fed, o mercado, medido pela ferramenta CME FedWatch, já convergia para um cenário com 90% a 95% de probabilidade de um lado só. Isso dava bastante clareza sobre o caminho dos juros”, afirmou.
De acordo com o especialista, atualmente o cenário está mais dividido. “Agora esse consenso caiu para algo em torno de 1/3 de chance de alta de 0,25 ponto percentual, o que mostra o tamanho da divisão dentro do próprio mercado”, explicou.
Caio destacou ainda que a postura de Kevin Warsh aumentou a dificuldade de projeção dos investidores. “O novo presidente do Fed adotou uma postura bem mais silenciosa do que a de seu antecessor, reduzindo o forward guidance, que é a prática de sinalizar com antecedência o próximo passo da política monetária”, disse.
Para ele, essa mudança aumenta a volatilidade antes das reuniões. “O mercado vai precisar se acostumar a operar com menos visibilidade sobre o próximo passo do Fed, o que naturalmente aumenta a volatilidade nas vésperas de cada reunião”, afirmou.
Petróleo e tarifas mantêm alerta sobre inflação
Além da comunicação do Fed, os especialistas avaliam que fatores externos podem influenciar a decisão da autoridade monetária.
Thais Machado, especialista em investimentos e sócia da GT Capital, avalia que a manutenção dos juros ainda é o cenário mais provável, mas destaca que a decisão ficou mais difícil diante da retomada das pressões inflacionárias.
“Minha expectativa é de manutenção da taxa de juros nesta reunião. Apesar de o mercado continuar enxergando esse como o cenário mais provável, acredito que essa decisão será muito mais difícil do que parecia há poucas semanas”, afirmou.
Segundo ela, a alta recente do petróleo trouxe novos riscos para a trajetória da inflação americana.
“A escalada das tensões geopolíticas e a alta recente do petróleo reacenderam uma preocupação importante com a inflação. O petróleo voltou a operar em níveis significativamente mais elevados, o que pode contaminar preços de energia, transporte e diversos outros segmentos da economia”, explicou.
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