Renda fixa global paga como poucas vezes na história; veja como ganhar
Especialistas apontam oportunidades em Treasuries, títulos europeus e crédito de grandes empresas globais, mas alertam para risco cambial e liquidez

O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, divulgado nesta quarta-feira (10), registrou a maior taxa acumulada desde 2023 e empurrou os rendimentos dos títulos americanos para cima, reforçando o cenário de juros elevados por mais tempo que se tornou o novo normal do pós-pandemia. Para os ativos na carteira, a notícia tende a ser ruim, mas tem o efeito inverso para quem está buscando oportunidades de investimento: a renda fixa global está pagando como poucas vezes na história.
“Atualmente, o mercado já precifica mais dois aumentos de juros ao longo de 2026”, lembra Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP. Andressa Durão, economista do ASA, vê o Federal Reserve com a taxa parada ao longo do ano, mas “com riscos cada vez mais inclinados para cima”, diante de uma inflação de serviços pressionada mesmo sem os efeitos da guerra.
Do outro lado do Atlântico, o aperto continua: nesta quinta-feira (11), o Banco Central Europeu (BCE) elevou os juros na zona do euro. O Japão também deve promover mais aperto monetário na semana que vem.
Especialistas ouvidos pelo InfoMoney indicam boas opções nos títulos americanos, em soberanos europeus, em dívida de mercados emergentes e no crédito de grandes empresas globais, mas alertam que risco cambial e liquidez exigem seletividade.
EUA: juro alto e porto seguro
Para parte dos analistas, a renda fixa americana segue imbatível pelo juro e pela moeda. Caio Zylbersztajn, sócio da Nord Investimentos, prefere o risco soberano diante dos spreads de crédito privado ainda comprimidos: títulos do Tesouro americano e papéis garantidos por agências governamentais, como os mortgage-backed securities, lastreados em hipotecas.
O argumento cambial pesa ainda mais em sua análise. Para Zylbersztajn, o euro tem um defeito para o brasileiro: anda junto com o real. “A gente prefere ter o equilíbrio com real e dólar, e não real e euro, que acaba concentrando um risco de ciclicalidade global”, diz. O dólar, segundo ele, age como um contraponto para movimentos cíclicos globais e é o melhor par para equilibrar um portfólio majoritariamente investido no Brasil.
Shinichiro Fukui, gestor de renda fixa e sócio da Stratton Capital, também aponta os EUA como o porto menos exposto à atual onda inflacionária, intensificada pelo choque de petróleo vindo do conflito no Oriente Médio, e cita o fluxo de investimento estrangeiro, os aportes bilionários em data centers e a posição do país como maior produtor de petróleo do mundo como razões para essa resiliência.
Europa e emergentes no radar
Para quem quer ir além dos Treasuries, Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, sugere privilegiar economias maduras. “Para além dos EUA, tenho preferência por mercados desenvolvidos, sobretudo por aqueles que têm mercados financeiros maduros, como é o caso dos principais países europeus”, afirma. Na escolha entre soberanos e crédito privado, ele não vê necessidade de exclusividade: o crédito privado “costuma trazer spreads que hoje ganharam atratividade”, mas requer análise mais profunda do que títulos de governo, nos quais é mais confortável trabalhar com prazos um pouco mais longos.
Já Paulo Monteiro, head da Gravus Capital, tem uma visão mais abrangente. “Para quem quer diversificar por país além dos Treasuries americanos, as oportunidades mais interessantes estão na dívida de mercados emergentes e no crédito corporativo global”, afirma, recomendando o acesso por meio de veículos líquidos, como ETFs, a exemplo do EMB, listado na Nasdaq, ou fundos especializados. O que ele descarta é a compra direta de papéis de empresas emergentes: “o custo operacional é alto e a liquidez é baixa, o que pode transformar uma boa tese em um problema na hora de desmontar a posição.”
MATÉRIA COMPLETA DISPONÍVEL NO LINK (Por Leonardo Guimarães)

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