Fed deve manter juros na quarta-feira (17/06), mas discurso de Kevin Warsh é o foco do mercado
Acordo de paz entre EUA e Irã e reabertura do Estreito de Ormuz derrubam petróleo e aliviam curva de juros americana

O mercado financeiro acompanha com atenção a próxima decisão do Federal Reserve (FOMC), marcada para quarta-feira (17), com expectativa predominante de manutenção da taxa básica de juros nos Estados Unidos.
Segundo Shin Fukui, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital, o foco dos investidores vai além do anúncio em si e está concentrado no discurso do novo chairman do Fed, Kevin Warsh.
Expectativa é de manutenção, mas discurso do Fed é o foco
“As expectativas do mercado para a próxima decisão do FOMC que acontece nesta quarta-feira dia 17 é de manutenção da taxa básica. Na verdade, a apreensão e atenção do mercado está focada no primeiro discurso do novo Chairman do Fed, Kevin Warsh e a direção que ele vai levar sua política monetária”, afirmou Fukui.
Além disso, o mercado ainda trabalha com a possibilidade de até dois aumentos de juros neste ano. No entanto, o cenário geopolítico recente começa a mudar as projeções.
Petróleo e geopolítica influenciam expectativas de inflação
“O mercado vem apostando numa possibilidade de dois aumentos na taxa básica de juros ainda este ano. No entanto, com as mais recentes manchetes sobre um possível acordo de paz entre os EUA e o Irã e a reabertura do estreito de Ormuz, o mercado futuro de petróleo volta a cair assim como as expectativas de inflação mundial”, disse.
De acordo com o gestor, esse movimento já se reflete na curva de juros americana, que apresenta alívio recente.
“A curva de juros hoje já mostra um alívio na pressão em cima da curva, o que pode gerar um certo otimismo com relação ao novo direcionamento do Fed”, completou.
Inflação ainda reflete choque energético
Apesar da melhora nas expectativas, Fukui alerta que a inflação ainda carrega efeitos do choque energético recente.
“Os preços ao consumidor estiveram sob pressão nesses últimos meses de conflito no Irã. O preço da gasolina aumentou drasticamente no mundo todo e mesmo os EUA sendo energeticamente independente, também sofreu com o aumento do preço da gasolina e derivados”, afirmou.
Segundo ele, o próximo passo do Fed dependerá da persistência desses impactos.
“Se o Fed entender que a inflação vai continuar por mais tempo mesmo com a resolução no Estreito de Ormuz, é possível que eles tenham que subir a taxa básica. No entanto, se entenderem que os preços no geral vão ceder e até retornar aos patamares antes da guerra no Irã, talvez o Fed consiga voltar a considerar novos cortes”, disse.
Juros nos EUA e impacto em mercados emergentes
No cenário internacional, Fukui destaca que mudanças na política monetária americana têm efeito direto sobre países emergentes.
“Se a taxa básica de juros voltar a subir, é possível que as curvas de juros dos mercados emergentes abram para poder pagar mais e compensar a curva em USD abrindo”, afirmou.
Ainda assim, ele reforça a liderança dos Estados Unidos como destino global de capital.
“Os Estados Unidos ainda é o país que se mantém na liderança principalmente em volume de investimentos em inteligência artificial”, disse.
Dólar, fiscal e volatilidade política no radar
Sobre o câmbio, Fukui aponta que o dólar segue influenciado por fatores políticos e fiscais.
“A cotação do dólar contra o Real vai servir para balizar duas dinâmicas distintas: a crescente volatilidade por causa das eleições presidenciais no Brasil e nos EUA, e as eleições parlamentares em novembro”, afirmou.
Ele também chama atenção para a fragilidade fiscal brasileira no cenário de juros globais.
“Mesmo com juros altos no Brasil, isso não necessariamente será suficiente para manter o dólar baixo, ainda mais considerando o inchaço do déficit fiscal”, completou.
Ao mesmo tempo, o especialista observa um movimento recente de enfraquecimento da moeda americana.
“O índice do dólar, o DXY, voltou a cair depois de ganhar muita força durante o período em que o Treasury de 10 anos abriu para acima dos 4,5%”, disse.
Próximos dados serão decisivos para os mercados
Por fim, Fukui destaca que os próximos indicadores econômicos serão fundamentais para a direção dos mercados globais.
“Os próximos dados da economia serão bastante importantes para sinalizar novos movimentos na curva agora sem o efeito da crise no Oriente Médio”, concluiu.
MATÉRIA ORIGINAL DISPONÍVEL NO LINK (Por Anna Muradi)

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