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Wall Street e Europa têm alta firme e petróleo cai após superar US$ 109

há 6 horas
4 min de leitura

Cotação do barril recua de máximas em quatro meses, com realização de lucros de investidores, que monitoram negociações entre Teerã e a Casa Branca e divulgação do índice de preços ao consumidor americano


O petróleo opera em queda hoje, após superar US$ 109 o barril do tipo Brent na sequência de altas da cotação, com investidores realizando lucros e ajustando posições antes de uma semana decisiva de juros nos Estados Unidos. Agentes econômicos monitoram negociações entre Teerã e a Casa Branca e reagem à divulgação do índice de preços ao consumidor americano.

O que aconteceu

Preço do petróleo acomoda após se aproximar de US$ 110. O contrato futuro do tipo Brent recuava 3% perto das 14h (horário de Brasília), para US$ 104,36, após ter batido US$ 109,62 na máxima hoje. Na véspera, o Brent para novembro fechou em alta de 6,34% (US$ 6,42), a US$ 107,63 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres.


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Petróleo disparou ontem com a leitura de que o conflito no Oriente Médio pode se prolongar e afetar a oferta global da principal fonte de energia da economia mundial. O Brent para outubro avançou 7%, a US$ 107,91 o barril, em meio a ataques nos estreitos de Hormuz e Bab-al-Mandeb, rotas importantes para o escoamento da commodity.

Conflito entre Estados Unidos e Irã segue no radar e amplia o prêmio de risco nos preços do petróleo. O governo americano anunciou novas sanções contra empresas e indivíduos que, segundo Washington, auxiliam grupos ligados ao Irã no Oriente Médio, como o Hezbollah e o Kata'ib Hezbollah.


Wall Street

Índices de Wall Street sobem nesta sexta-feira após as perdas da véspera. O movimento ocorre depois de uma sessão de queda em Nova York, marcada pela alta do petróleo e pela pressão dos juros dos Treasuries, o que aumentou as preocupações inflacionárias. O Dow Jones futuro subia 1,14%, o S&P 500 avançava 10,2% e o Nasdaq ganhava 1,12%, por volta das 14h (horário de Brasília).

Bolsas de Nova York fecharam em queda ontem, com baixa generalizada nos principais índices. O Dow Jones caiu 0,6%, aos 52.064,10 pontos; o S&P 500 recuou 0,58%, a 7.591,70 pontos; e o Nasdaq perdeu 0,65%, a 26.081,72 pontos.

Alta do petróleo e dos juros pesou sobre ações e reforçou temores de inflação mais persistente nos Estados Unidos. Dez dos 12 setores do S&P 500 terminaram no vermelho, e ações de semicondutores lideraram as perdas, com receio de que energia mais cara pressione preços e juros.

Mercados reagem hoje a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA. O índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto ante julho, informou o Ministério do Trabalho americano. Já em 12, a variação seguiu em 3,4%, a mesma taxa de julho. Economistas consultados pela Reuters previam que avanço seria de 0,4% no mês e de 3,4% na base anual.

"O índice de preços ao consumidor veio acima das expectativas do mercado, com potencial para elevar apostas de alta dos juros pelo Banco Central americano semana que vem, tendo em vista que os últimos dados de inflação não foram capazes de demonstrar uma tendência de desinflação na economia americana." Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio da Stratton Capital

Leitura é vista como central para calibrar as expectativas para a próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Semana que vem, a diretoria decide se mantém a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, ou se começa um novo ciclo de aperto monetário.

"O resultado, em linha com o esperado no índice cheio, mas acima do consenso no núcleo, reforça que o processo de desinflação nos Estados Unidos segue lento e ainda distante da meta de 2%. A leitura chega em um momento sensível, já que o mercado vinha elevando as apostas em uma alta de juros pelo Fed na reunião de 15 e 16 de setembro, depois de o payroll de agosto surpreender com a criação de 162 mil vagas, muito acima do esperado, e o núcleo acima do consenso tende a reforçar ainda mais essa precificação." Vitor Kayo, economista sênior na Nomad

Europa e Ásia

Bolsas europeias fecharam em alta nesta sexta-feira, após as perdas recentes. O desempenho foi alimentado pela queda do petróleo e pela melhora do apetite por risco. O avanço ocorreu mesmo após a inflação dos Estados Unidos reforçar apostas de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) na próxima semana, enquanto os riscos de oferta de energia no Oriente Médio seguiram no radar.

Principais índices europeus encerraram com variações positivas. Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 0,39%, a 10.650,44 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,77%, a 25.557,16 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,78%, a 8.179,77 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 1,36%, a 52.512,03 pontos. Em Madri, o Ibex 35 subiu 0,84%, a 19.825,70 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 0,73%, a 9.524,73 pontos.

Na agenda, a produção industrial do Reino Unido avançou 0,2% em julho ante junho, ante previsão de queda de 0,2%. Na França, o ministro das Finanças, Roland Lescure, reduziu de 0,7% para 0,5% a projeção de crescimento em 2026 e admitiu que a meta de déficit não será cumprida. Paralelamente, o dirigente do Banco Central Europeu (BCE) Gabriel Makhlouf afirmou que a guerra no Oriente Médio pode manter a inflação elevada por mais tempo, mas alertou que novas altas expressivas dos juros ameaçam o crescimento.

Entre as ações, Airbus avançou 1,4% após anunciar recompra de até 4,1 milhões de papéis. Em Londres, Renishaw subiu 3,1% e XP Power disparou 5,4% após a Jefferies elevar ambas para compra, citando benefícios da demanda ligada à inteligência artificial (IA) para o mercado de semicondutores. Na Alemanha, Sartorius subiu 1,3%, enquanto SAP conseguiu se recuperar parcialmente no fim do pregão, fechando estável. Em Paris, ações de luxo (+1%) se recuperaram de perdas recentes, com a Kering registrando alta de 2%.

Bolsas asiáticas fecharam mistas. Houve queda na Coreia do Sul após alerta do banco central sobre apostas de alto risco ligadas ao boom de inteligência artificial. O Kospi caiu 0,25%, a 7.033,92 pontos, após alta de 1,4% na véspera, com leves baixas em papéis como SK hynix e Samsung Electronics.

Mercados também recuaram em Hong Kong, China e Austrália, enquanto o Japão avançou levemente. O Hang Seng caiu 1,3% e Xangai recuou 0,4%, enquanto o Nikkei subiu 0,2% em Tóquio; na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 1,03%.


 
 
 

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