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A revolução silenciosa dos spreads soberanos europeus

Nos últimos meses, temos acompanhado um fenômeno cada vez mais claro no mercado europeu: a convergência dos spreads de crédito soberano dentro da zona do euro. A tradicional divisão entre países “core” e “periféricos” parece estar se esvaindo. Hoje, França, Espanha, Itália e Portugal caminham para um mesmo patamar de risco percebido, em torno de uma classificação “single-A”, reduzindo as diferenças históricas. A recente perda do rating da França (A+, Fitch) não provocou turbulência significativa, enquanto a Espanha foi elevada para A+ pela S&P, com seu spread de 10 anos frente ao Bund em mínimas de duas décadas. Até a Itália, tradicionalmente vista como elo frágil, viu seu spread recuar abaixo dos 100 pontos-base, algo impensável há poucos anos.


Foto: Shutterstock
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Essa convergência tem implicações estratégicas importantes. Para investidores globais, abre espaço para diversificação além dos tradicionais Bunds alemães, incorporando títulos espanhóis, italianos e portugueses com maior conforto. Para a União Europeia, fortalece o argumento de emissões conjuntas, já que a “média” de risco se aproxima e a percepção de solidariedade entre países ganha corpo. Claro que ainda existem riscos: debates fiscais na França e na Alemanha, além de ciclos políticos internos, podem gerar volatilidade; mas o pano de fundo aponta para um euro mais coeso, com impacto positivo tanto na percepção de risco cambial quanto na atratividade da dívida europeia como classe de ativos.


No médio prazo, essa evolução pode redefinir a forma como investidores e gestores de portfólio enxergam o bloco, aproximando-o de uma lógica mais “federalizada” de mercado, semelhante ao que ocorre nos EUA. Estamos diante de um passo silencioso, mas profundo, na integração europeia. Vem aí uma nova narrativa para os mercados de crédito soberano da zona do euro?

 
 
 

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