O "Quantitative Easing" está mesmo voltando?
- Robert Awerianow

- há 20 horas
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A ideia de que o "QE está de volta" está ganhando espaço no mercado, mas uma leitura objetiva dos dados aponta para um cenário mais pragmático. Nossa interpretação é de que não estamos diante de um Quantitative Easing (QE) clássico, com compras de ativos e expansão do balanço do FED, mas sim de ajustes operacionais, reinvestimentos seletivos e mudanças na composição e na duration do balanço. Em outras palavras, trata-se mais de calibragem de política monetária do que de um novo ciclo explícito de estímulo. Por que essa distinção importa para os portfólios globais dos nossos clientes? Porque assumir um rally nos títulos de renda-fixa resultante de QE pode gerar um erro de alocação.

Vários fatores devem ser levados em consideração na construção da estratégia para os próximos meses:
- Juro curto segue atrativo: T-bill de 13 semanas ainda remunera em torno de 3,6%, sinalizando que a política monetária continua restritiva no curto prazo.
- Funding funcional: a SOFR gira próximo de 3,7%, sem sinais de estresse sistêmico relevante.
- Prêmio de prazo resiliente: o term premium do Treasury de 10 anos permanece positivo (cerca de 0,7 p.p.), longe de um colapso típico de cenários de QE agressivo.
- Balanço do Fed contido: o total de ativos segue próximo de US$ 6,6 trilhões, sem evidência de expansão líquida.
Por essas razões, uma gestão prudente sugere evitar uma estratégia direcional agressiva na queda dos juros, preferindo qualidade e seletividade em crédito e carrego no curto prazo enquanto a janela permanece aberta.
Essa publicação não é uma recomendação de investimento.



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