Decisão do Fed de manter juros não foi unânime: veja quem votou contra
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O Comitê Federal de Mercado Aberto do BC dos EUA manteve nesta quarta-feira, 29, a taxa de juros do país na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira, 29, manter a taxa básica de juros americana no intervalo entre 3,50% e 3,75%, em uma decisão amplamente esperada pelo mercado. A manutenção, aprovada pelo Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), marcou a quinta reunião consecutiva sem mudanças na política monetária.
Apesar de estar no cenário-base dos investidores, a decisão expôs uma divisão maior dentro do banco central americano. Ao contrário da reunião de junho, quando todos os integrantes do FOMC votaram pela manutenção dos juros, desta vez três dirigentes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual.
Votaram contra a decisão de manter a taxa Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan. Os três preferiam elevar o intervalo da taxa dos Fed Funds para entre 3,75% e 4%.
"A novidade foi a dissidência entre os membros do comitê: 9 diretores votaram a favor da manutenção e 3 defenderam alta na taxa de juros", afirmou Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos.
"Apesar de a decisão ter sido pela manutenção de juros, nós tivemos três diretores que fizeram o voto contrário, apostando e sinalizando uma necessidade de aumento de 0,25 na taxa, exatamente por conta do tom do último comunicado. Então, isso mostra que, de fato, existe uma preocupação forte em relação à parte inflacionária", afirmou a economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos.
A divergência já vinha sendo antecipada pelo mercado. Antes da reunião, a ferramenta FedWatch, do CME Group, mostrava que 66,3% dos investidores esperavam a manutenção dos juros, enquanto quase 34% apostavam em uma elevação da taxa, refletindo a percepção de que parte dos dirigentes poderia defender uma postura mais restritiva diante das pressões inflacionárias.
Em um comunicado mais enxuto, semelhante ao divulgado na primeira decisão sob o comando de Kevin Warsh, o FOMC afirmou que a atividade econômica segue crescendo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza, influenciada parcialmente pelo conflito no Oriente Médio, mas ressaltou a preocupação com a inflação acima da meta.
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Segundo o comitê, "o crescimento da produtividade e o investimento de capital são fortes". Os dirigentes também destacaram que a criação de empregos acompanhou o avanço da força de trabalho e que a taxa de desemprego apresentou pouca alteração.
Sobre a inflação, o Fed afirmou que o indicador permanece acima da meta de 2% e que parte da pressão vem de choques de oferta que elevaram preços em alguns setores, incluindo energia.
"O Comitê buscará alcançar o máximo emprego e inflação à taxa de 2% no longo prazo", afirmou o comunicado.
Para Kawauti, o comunicado trouxe tom conservador, mais hawkish, no jargão do mercado para uma visão de elevação dos juros, em linha com o que a autoridade monetária vem apresentando desde junho.
"O Banco Central americano deve manter os FED funds em patamar alto em meio às incertezas relacionadas ao ambiente internacional. A depender dos dados e da evolução dos preços de commodities, pode, inclusive haver alta de juros ao final do ano", afirmou.
Já Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, avaliou que o comunicado trouxe sinais em direções opostas, com uma leitura neutra. "Na escrita, o tom foi até mais brando do que o esperado.
O comitê reconheceu explicitamente que a inflação elevada reflete, em parte, choques de oferta em setores específicos, incluindo energia. Essa é uma distinção importante, pois choques de oferta não se combatem com juros mais altos", disse.
Agora, a atenção dos investidores se volta para o comunicado do FOMC e para a fala do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana.
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