A importância do 15º Plano Quinquenal para a economia chinesa
- Vinicius Flores

- 24 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O Plano Quinquenal Chinês, fundado em 1953, é o evento mais relevante do país em 2025. A ser definido em outubro, ele estabelece metas de crescimento econômico, prioriza setores estratégicos e sinaliza como os líderes chineses abordarão o consumo e o crescimento nos próximos cinco anos (2025-2030). Para o mercado de ações, o plano será crucial, pois guiará o consumo das famílias chinesas.
Atualmente, a China enfrenta deflação persistente devido à baixa demanda doméstica. As famílias, com uma taxa de poupança de 34%, cerca de seis vezes maior que a dos EUA, poupam muito, influenciadas por fatores como a insegurança social, que devem ser abordados no plano. Entretanto, nos últimos anos, a crise imobiliária e a falência da Evergrande, reduziram drasticamente o valor dos imóveis na China, enquanto as dívidas imobiliárias permaneceram. Isso levou as famílias a priorizarem a desalavancagem, reduzindo consumo e novos empréstimos. Mesmo com juros nominais próximos de zero, a relutância em consumir persiste até que os balanços sejam ajustados, evidenciando um problema de demanda, não de oferta, que o Partido Comunista Chinês precisa enfrentar.

Assim como na crise imobiliária do Japão em 1990, que levou décadas para a desalavancagem, a China vive uma situação parecida. Contudo, a centralização do governo chinês, aliada à experiência passada de outros países, pode ser um diferencial para o país.
Crises passadas mostram que respostas monetárias, como o “Quantitative Easing” adotado por EUA e Reino Unido, têm sucesso limitado contra bolhas financeiras. Apesar de reduzir taxas de longo prazo e incentivar consumo via rebalanceamento de portfólios, em recessões de balanço (dívidas > ativos), a baixa taxa de juros não atrai tomadores, pois agentes focam em pagar dívidas. Cabe ao governo, não ao Banco Central, absorver o excesso de poupança das famílias. Portanto, entendemos que o mês de outubro será crucial para o futuro da economia chinesa e, na nossa visão, deve trazer volatilidade para o mercado de capitais chinês.



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