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Dívida pública elevada não é o fim do jogo

Os níveis de dívida pública nas economias desenvolvidas seguem em patamares historicamente altos. O ponto-chave já não é apenas o tamanho da dívida, mas a dificuldade crescente dos governos em reduzi-la pelos caminhos tradicionais.


Ao longo da história, três estratégias foram usadas para lidar com dívidas excessivas.


A primeira foi a repressão financeira: juros artificialmente baixos enquanto a inflação corroía o valor real da dívida. Funcionou no pós-guerra, mas exigia mercados fechados e controle de capitais. Em economias abertas, o custo tende a ser perda de credibilidade.


A segunda via foi o crescimento econômico. O Reino Unido, após as Guerras Napoleônicas, reduziu sua dívida com décadas de expansão produtiva e disciplina fiscal. Hoje, porém, a demografia joga contra. A grande aposta está na tecnologia, em especial na inteligência artificial, que poderá ser capaz de gerar um novo choque relevante de produtividade.


A terceira alternativa é a inflação. Mesmo moderada, quando persistente, ela reduz a dívida em termos reais. O limite aqui está nos mandatos dos bancos centrais, que priorizam estabilidade de preços e restringem o uso deliberado desse mecanismo.


Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Diante desse quadro, o cenário mais plausível é um muddle through: déficits recorrentes, alguma tolerância a inflação acima da meta e dívida estabilizada em níveis elevados. 


Para os mercados, isso tende a significar prêmios de risco estruturalmente mais altos, juros reais menos previsíveis e episódios recorrentes de estresse fiscal.


Para o investidor, a preservação do retorno real ganha ainda mais relevância. Duration longa exige seletividade, diversificação volta ao centro da estratégia e, mais do que acertar o “timing”, a consistência passa a vir da disciplina ao longo do tempo.


Essa publicação não é uma recomendação de investimento.

 
 
 

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