Spreads apertados não significam oportunidade zero
- Robert Awerianow

- 16 de jan.
- 1 min de leitura
É comum ouvir que “não faz sentido investir em investment grade, pois os spreads estão muito apertados”. A leitura parece intuitiva, mas é incompleta (e pode custar retorno na carteira).
Esperar o “momento perfeito” em crédito costuma ser mais arriscado do que estar alocado com critério. Quando os spreads abrem, normalmente isso ocorre em um ambiente de desaceleração econômica, cortes de juros e queda dos yields em investment grade. Ou seja, o investidor entra com spreads mais largos, mas com um carry estrutural bem menor e acaba deixando para trás uma parte relevante do retorno.

Além disso, crédito investment grade não é apenas uma decisão de spread. É uma combinação de:
a)Carry atrativo (em níveis historicamente competitivos); b)Potencial de alpha via gestão ativa (com gestores reduzindo risco e atentos à reentrada quando o ciclo mudar); e c)Diversificação eficiente (especialmente em cenário de equities caras e incerteza macroeconômica elevada).
Ademais, geralmente quando os spreads estão abrindo, a volatilidade aumenta, o noticiário piora e o timing ideal raramente parece “confortável”. Estar investido antes do movimento amplia a opcionalidade e reduz o risco de erro de execução.
Assim, crédito investment grade, neste estágio do ciclo, não é sobre “apostar” em spreads mais apertados, mas sobre capturar carry, preparar o portfólio para diferentes cenários macro e evitar o custo “invisível” de ficar fora.
Às vezes, não estar underweight já é uma decisão ativa.
Essa publicação não é uma recomendação de investimento.



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