Mercados em alta: risco ou oportunidade?
- Gabriel Rabinovici

- 24 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Os mercados vivem um novo ciclo de expansão, que alguns analistas chamam de “ciclo pós-moderno”. Diferente de superciclos anteriores — marcados por valuations baixos, queda de juros e globalização — hoje partimos de múltiplos mais altos, margens elevadas e taxas difíceis de reduzir de forma sustentada. Isso sugere retornos médios mais moderados. Ainda assim, o ambiente é fértil para geração de “alfa”, pois o diferencial entre vencedores e perdedores tende a aumentar.
Investidores em ações têm motivo para satisfação: o S&P 500 acumula alta de cerca de 13% no ano. Esse movimento empurrou valuations já altos para níveis ainda maiores, com o índice negociando a 22x P/L fut. Naturalmente surgem dúvidas: como investir em um mercado caro? A evidência histórica mostra que múltiplos elevados têm pouca relação com retornos de curto prazo — o que importa é a combinação de crescimento de lucros e política monetária.

Em 1999 e 2021, mesmo com P/L acima de 21x, o S&P 500 subiu +21% e +28%, apoiado por forte expansão de lucros e estímulos do Fed. Já em 2000 e 2022, também com valuations altos, a desaceleração de lucros somada a juros mais restritivos levou a quedas de –9% e –18%. Ou seja: não é valuation em si que determina desempenho, mas o pano de fundo de crescimento e política monetária.
Hoje, o cenário segue construtivo: lucros surpreendem, o consumo e investimentos em IA permanecem resilientes, e cortes de juros pelo Fed devem apoiar setores cíclicos. Incentivos previstos no “One Big Beautiful Bill” reforçam a visão positiva. Valuations elevados não significam correção iminente: múltiplos podem se manter assim por longos períodos, e correções geralmente exigem catalisadores negativos — que hoje não estão no radar.
As megatendências reforçam essa leitura. A tecnologia continua como motor principal, com margens altas e crescimento de lucros que justificam parte dos valuations. A concentração do mercado americano aumenta riscos específicos, mas não equivale a uma bolha. Oportunidades de diversificação dentro e fora da tecnologia ampliam alternativas. O diferencial entre vencedores e perdedores será grande — nem todos os campeões de hoje serão os vencedores de amanhã.
Essa publicação não é uma recomendação de investimento.



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