O petróleo acima de US$100 e o dilema que o BCE não conseguirá ignorar
- Robert Awerianow

- há 3 horas
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Na semana passada, a inflação da zona do euro estava em 2,4% no núcleo (da meta, mas sob controle). O BCE mantinha as taxas em 2,0% e o mercado precificava uma pausa prolongada.
Isso foi antes do Brent superar US$100 pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz (por onde trafegam 20% do petróleo mundial) está obrigando gestores a rever seus modelos. E o pior: poderá ser um choque stagflacionário.
A inflação de fevereiro surpreendeu para cima, chegando a 1,9%. A regra empírica do JPMorgan estima 0,11 p.p. de impacto inflacionário por cada 10% de alta no Brent em euros. Uma alta de 45–50% leva o headline de volta acima de 2,5% sem segundo round.

Para o BCE, o problema não é o número em si, mas o timing. Isabel Schnabel alertou esta semana sobre “riscos de alta para a inflação no horizonte relevante de política monetária”, invocando explicitamente a lição de 2022. Os mercados já precificam uma alta de 25 bps até setembro.
Os Bunds de 10 anos subiram 23 bps em uma semana. Os BTPs italianos pressionam o spread para 72 bps. A emissão de crédito corporativo europeu está virtualmente paralisada.
Duration curta a neutra, proteção inflacionária na parte curta da curva, e atenção redobrada à qualidade de crédito.
A reunião do BCE em 19 de março será o primeiro teste real.



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