O rearmamento da Europa impactará seus bonds
- Robert Awerianow

- há 2 dias
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O rearmamento europeu não impacta somente as ações de defesa, pois terá efeito fiscal nos países e atingirá o mercado de renda fixa global.
Os números são concretos. A Alemanha planeja elevar os gastos com defesa para mais de 3% do PIB até 2027 com um fundo de infraestrutura de €500 bilhões. A Zona do Euro como um todo deve passar de 1,8% do PIB em 2024 para 2,5% já em 2026.
Gastos nacionais crescentes significam mais emissão de dívida soberana, maior prêmio de risco e pressão de alta nos yields. Especialmente em países como Itália, Espanha e Bélgica, que já carregam os maiores déficits e ainda estão longe das metas da NATO.

O contraponto construtivo vem do Goldman Sachs: cada €100 gastos em defesa geram aproximadamente €50 de PIB adicional num prazo de dois anos, ou seja, um multiplicador fiscal de 0,5 com efeito crescente conforme a produção se torna mais doméstica.
Uma Europa que emite mais dívida conjunta para defesa aproxima-se, estruturalmente, de um mercado de bonds soberanos unificado. Isto, em tese, poderá atrair reservas globais para o euro e, paradoxalmente, comprimir os spreads periféricos no longo prazo.
No curto prazo, porém, a curva vai inclinar. E portfólios de renda fixa expostos a duration longa na Europa precisam estar atentos.



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