Guerra Tarifária: o pior já passou? O que esperar do mercado global?
- Gabriel Rabinovici

- 2 de set. de 2025
- 2 min de leitura
As tensões comerciais entre os EUA e seus principais parceiros arrefeceram. Recentemente, Washington fechou acordos com a União Europeia e com o Japão, limitando tarifas a 15% — metade do que havia inicialmente sido estabelecido. Com a China, as negociações foram prorrogadas, mas o risco de escalar um ciclo crescente de retaliações foi evitado, por enquanto. Ainda assim, a tarifa efetiva americana deve se manter na casa dos 15% pelos próximos meses, após a onda de sobretaxas aplicadas a países como Suíça, Índia e Brasil. O impacto estimado é de uma redução de 1 ponto percentual no crescimento do PIB dos EUA e de 1 ponto a mais na inflação.

Na prática, porém, muitas vezes a expectativa é pior do que o efeito real. Exemplo disso foi a sugestão de taxar semicondutores importados em 100%, que acabou não se concretizando. Ao contrário, produtos da Apple provenientes da Índia foram isentos das tarifas. A empresa anunciou US$ 100 bilhões de investimentos em novas fábricas nos EUA, e suas ações subiram mais de 10% no início de agosto. Além disso, o governo aprovou o One Big Beautiful Bill Act (OBBBA), que permite depreciação integral imediata para equipamentos e dedução total de despesas de P&D doméstico — medida que pode aumentar em mais de 30% o fluxo de caixa livre de algumas grandes empresas de tecnologia/hyperscalers.
O recado é claro: apesar da volatilidade e dos riscos de novas tarifas setoriais (como em farmacêuticos e semicondutores), o pior da guerra tarifária parece ter passado. O cenário favorece manter e até talvez ampliar gradualmente a exposição em ações, aproveitando-se de quedas momentâneas de mercado. Sempre mantendo uma carteira diversificada e bem planejada, capaz de equilibrar riscos e capturar oportunidades em temas estruturais de longo prazo, como, por exemplo, inteligência artificial, setor industrial e energia nuclear.



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