IA está matando empregos? Ou apenas mudando quem vale mais no mercado de trabalho?
- Robert Awerianow

- há 2 dias
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O debate da semana foi sobre o futuro do emprego. E ele chegou ao mercado de bonds.
A narrativa é simples, mas perturbadora: empresas crescendo receita sem contratar. O caso Block foi o gatilho, mas o padrão é mais amplo. Durante toda a temporada de resultados do 4T25, executivos repetiram a mesma mensagem: “crescimento sem novas contratações".
Os dados dão suporte. Desde o lançamento do ChatGPT, o emprego total nos EUA cresceu 2,5%, mas nos setores mais expostos à IA, caiu 1%. No design de sistemas de computadores, a queda foi de 5%. Ao mesmo tempo, os salários nos setores mais expostos à IA avançaram 8,5%, contra 7,5% da média nacional. Portanto menos empregos, salários mais altos para quem fica.
O Fed de Richmond foi ainda mais direto. Modelos calibrados com dados americanos sugerem um ganho de produtividade de três vezes, mas uma perda de 23% no emprego, metade desse impacto em apenas cinco anos.

Para o mercado de bonds, a equação é clara: menos emprego → menos consumo → menor crescimento → Fed pressionado a cortar juros. Não por acaso, o yield do Treasury de 10 anos fechou a semana abaixo de 4%, ignorando um PPI acima do esperado.
A boa notícia? Inovações tecnológicas nunca destruíram o emprego em termos agregados ao longo da história; e não há razão clara para acreditar que dessa vez será diferente.
Mas no curto prazo, o mercado não espera pela história. E os portfólios de renda fixa precisam estar posicionados para isso agora.
Você acredita que a IA é um risco real para o crescimento ou apenas ruído de curto prazo?



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