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Dez anos depois, o Brexit começa a andar para trás

Em 1º de abril de 2026, Starmer reconheceu publicamente que o Brexit causou dano profundo à economia britânica e anunciou uma nova cúpula com a UE com ambições ampliadas. O timing não é coincidência.

O NBER Working Paper 34459 (Bloom et al., 2025) estima que, até 2025, o Brexit havia reduzido o PIB per capita britânico em 6% a 8%, o investimento em 12% a 18% e a produtividade em 3% a 4%, impactos acumulados ao longo de quase uma década. O Office for Budget Responsibility trabalha com estimativa mais conservadora de 4% de perda de produtividade de longo prazo, mas reconhece que a trajetória está em linha com as previsões pré-referendo.

O quadro político mudou de forma igualmente significativa. Segundo YouGov, apenas 14% dos britânicos acreditam que a relação especial com Washington ainda existe; 43% querem maior proximidade com a UE, alta de 9 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. O Labour, que chegou ao poder com maioria expressiva em 2024, hoje oscila entre 17% e 19% nas pesquisas, atrás do Reform UK. A pressão para uma narrativa mais ambiciosa é política, não apenas econômica.


A posição formal de Starmer ainda exclui mercado único e união aduaneira. Mas figuras seniores do governo admitem, em privado, que os ganhos de uma união aduaneira isolada seriam insuficientes. O próximo passo lógico é mais amplo, e o calendário está se adiantando: cúpula prevista para junho de 2026, próxima ao décimo aniversário do referendo.

Para portfolios com exposição ao Reino Unido e à Europa, esse movimento representa uma variável estrutural em formação. O par GBP/EUR opera em faixa estreita e reflete cautela: o Bank of England precifica inflação mais persistente que o BCE, o que oferece suporte à libra no diferencial de taxa. ING projeta GBP/EUR em torno de 1,1360 no curto prazo; o Bank of America via valorização da libra frente ao euro até o fim de 2026. 

Uma reaproximação com o mercado único europeu reforçaria esse vetor: menor fricção comercial melhora o crescimento potencial britânico, tende a comprimir o prêmio de risco soberano em gilts e seria marginalmente favorável ao euro como moeda de referência em transações financeiras transatlânticas.

*Essa publicação não é uma recomendação de investimento.


 
 
 

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