A dicotomia entre a situação econômica americana e europeia
- Vinicius Flores

- há 2 minutos
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Os dados econômicos divulgados nesta semana confirmam dois pontos fundamentais que abordamos em nossos artigos e discussões do comitê de investimentos: o conflito no Irã não interromperá o ciclo econômico americano e a Europa é a região desenvolvida mais prejudicada pela paralização do estreito de Ormuz. Acreditamos que a pressão exercida pelo bloqueio americano no Estreito de Ormuz, aliada à devastação militar e econômica do Irã, acelerará um acordo entre as partes. No entanto, reconhecemos que os desdobramentos do conflito permanecem desfavoráveis e que sua duração exata é imponderável. Diante desse cenário de incerteza, seguimos positivos nas ações americanas, tendo em vista a força dos últimos dados econômicos nos Estados Unidos (EUA).

Nesse contexto, os últimos dados econômicos dos EUA têm sido extremamente positivos, tanto nos indicadores quantitativos (hard data) quanto, principalmente, nas pesquisas de PMI (soft data). Primeiramente, março marcou o terceiro mês consecutivo em que o PMI de manufatura americano permaneceu em expansão, registrando 52,7 (acima da estimativa de 52,5). As ordens de bens duráveis de fevereiro, excluindo defesa e aeronaves, apresentaram crescimento de 3,3% no mês, superando significativamente a expectativa de 0,6%. Adicionalmente, as vendas no varejo americano em março registraram aumento de 1,7%. Diante desses resultados e de outras pesquisas satélites que acompanhamos (Richmond Fed survey, Dallas Fed Survey), é inegável que o ciclo econômico americano continua forte.
Já na Europa, os indicadores econômicos demonstram uma forte desaceleração no consumo e na manufatura da Zona do Euro. O PMI composite, que é uma média do PMI de manufatura e serviços, registrou uma queda de 50.7 para 48.6 na zona do Euro. Apenas o PMI de serviços caiu 9% em abril com relação ao mês de fevereiro, chegando a 47.4. Na Alemanha, as vendas no varejo caíram 2.0% em março. Claramente, temos uma situação que está rapidamente ficando fora de controle na Europa. Além da Europa possuir um crescimento potencial menor do que os dos EUA, a região decidiu parar de importar o gás natural russo em 2022 (após a invasão da Ucrânia pela Rússia) e agora está pagando o preço. Com isso em mente, seguimos favorecendo a região dos EUA ao invés da Europa e entendemos que a diferença de múltiplos entre as duas regiões é explicada, em grande parte, por essa diferença abismal entre as duas economias.
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