O próximo estágio do impacto do choque do petróleo na economia americana
- Vinicius Flores

- há 14 horas
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Os dados econômicos divulgados nesta semana nos Estados Unidos (EUA) reforçam nossa tese de que o ciclo industrial americano não será interrompido pelo conflito no Irã, mas também marcam o início do novo estágio dos impactos do conflito na economia americana: A destruição de demanda causada pelo choque do petróleo e seu impacto na inflação americana. Diante desse cenário, continuamos construtivos na economia do EUA, porém muito mais cautelosos com relação aos impactos da inflação na curva de juros americana e suas consequências no mercado de ações dos EUA.

Primeiramente, do lado positivo, os dados econômicos demonstraram um aumento de 0.7% na produção industrial americana para o mês de abril, muito acima da expectativa de 0.3% para o mês. Além disso, a primeira pesquisa industrial de maio, o NY Empire State Manufacturing Index, registrou um aumento forte na atividade industrial na zona de New York, com cerca de 55% dos empresários indicando que esperam condições de negócio melhores nós próximos seis meses. Em nossa visão, a pesquisa é uma mensagem clara de que a indústria americana está se reerguendo de forma acelerada, apesar do conflito no Oriente Médio.
Com relação à inflação, o core CPI avançou 0.4% em abril, em grande parte por conta de uma mudança na metodologia do cálculo dos aluguéis. De qualquer forma, no ano o Core CPI acumula alta de 2.8%, 30 bps acima do nível de janeiro deste ano. Ainda, o índice de preços aos produtores saltou 1.4% em abril, muito acima dos 0.5% projetados para o mês. Ou seja, os primeiros impactos do choque no preço do petróleo já começaram a chegar nos produtores, e na medida que os preços para o atacado aumentam, lentamente isso é repassado ao consumidor final. Além do aumento da atividade industrial no NY Empire State Manufacturing Index, os preços recebidos pelo setor de manufatura também aumentaram, indicando que a indústria já está repassando esses valores ao consumidor final. Em nossa visão, a inflação continuará crescendo nos próximos meses, levando em conta que gradualmente esses aumentos serão repassados aos consumidores finais.
Entretanto, é a diminuição no consumo que deve começar a aparecer nos próximos meses. Dado os altos números de inflação, o mês de abril registrou uma queda de 0.5% na média real de ganhos semanais dos trabalhadores americanos. Da mesma forma, em março tivemos uma queda 0.6% no número. Com dois meses seguidos de queda nos ganhos reais, esperamos que os impactos no consumo serão sentidos nos próximos meses, ainda que de forma controlada. Portanto, após três meses do início do conflito, entramos em seu novo estágio, que será marcado pelo impacto nos indicadores de consumo. Diante desse cenário, continuamos cautelosos com relação ao duration das carteiras de renda fixa e aos setores do S&P que serão mais afetados por esse estágio.



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